Análise do jogo

Chumbo trocado, o Peixe estabilizado
O Peixe devolveu o dissabor do resultado vivido no primeiro turno do brasileirão/2008 ao bater, nesse sábado,25, o Figueira na Vila Belmiro. Distribuindo dois gols na primeira e mais um na segunda etapa o prato da vingança foi servido a frio, como recomenda o figurino. O gosto ficou mais amargo para o pessoal de Floripa porque o time sulista volta a ficar bem próximo da zona de degola. Enquanto isso, o Santos fincou posição no intervalo médio da tabela de classificação. O placar de 3X0 ficou de bom tamanho em relação ao desempenho das equipes no campo de jogo.
A Vila e arredores, momentos antes
Sem a necessidade do segundo turno eleitoral no município, a cidade ficou mais “leve”, pois inexistia no ar a tensão do choque de opiniões. De especial para a partida, a torcida santista carregava duas motivações: ver o time escapar de vez da incomoda zona de rebaixamento e curtir a vingança pela derrota sofrida no jogo de ida. Apesar do clima indefinido, do chove ou não chove a torcida compareceu em bom número e fez festa no Alçapão. Uma vez que o resumo da ópera poderia ser resumido na seguinte frase: Ao vencedor o acesso ao degrau da tabela em que é possível olhar para baixo e afirmar “pra lá não volto mais”. Ao perdedor a batata quente do risco de reaproximação do inferno astral do G4 debaixo.
Fazendo a Figueira balançar
No primeiro tempo, ao adotar a postura de ir para o jogo, ao invés de usar a retranca a fim de evitar levar pressão e abafa do Peixe, o Figueirense foi quem tomou maior iniciativa ofensiva. A rigor, até os trinta primeiros minutos de jogo, o time santista não tinha produzindo lances que levassem perigo ao adversário. Foram os catarinenses que, aos 26 minutos, tiveram a maior oportunidade de gol. Fábio Costa ao defender a penalidade contribuiu para despertar o time. Que se viu motivado a buscar a vitória. O primeiro gol de Molina, aos 38, foi antecedido de uma boa troca de passes na grande área, mas a chegada da bola ao meia do Peixe foi acidental, ele demonstrou oportunismo. Logo a seguir, trabalhando com melhor qualidade e impondo um ritmo mais veloz; em belo estilo e com categoria o camisa 11, Bida ampliou a vantagem. Valorizando um precioso levantamento de Rodrigo Souto. No segundo tempo, os santistas perderam várias chances de gol. O domínio do time foi bem superior, compensado por um lance de bola parada, em que aos 18 minutos Rodrigo Souto aproveitou bem o escanteio que Molina cobrou e num voleio rasteiro consolidou o triunfo do Peixe. A partir dali, o mexe-mexe dos técnicos muito pouco acrescentou à partida.
Quem viu, quem ouviu; balão subindo balão, balão descendo
O lado pitoresco do evento correu por conta da tentativa de se fazer cumprir a lei. Ora a lei. Os atletas buscavam o posicionamento no gramado, o árbitro já se preparava para dar início ao jogo. A maioria das mais de 12 mil pessoas colocou-se de pé ao ouvir o serviço oficial de informação: - “E agora vamos à execução do hino nacional”. Seguiram-se alguns brevíssimos acordes e pluft Cancela! Vamos ao jogo. Jogo que pela quantidade técnica de Bida aqui, Molina ali, Souto acolá até que contou com alguns lances interessantes. No mais, esteve repleto de “bumba meu boi”, ou seja, chutões para todos os lados, principalmente para cima. Ao presenciar lances tão grotescos, eu pensava: - È! Essa moçada que nos blogs pergunta quem era ou quem foi Ramos Delgado está “super certa” . Tem total razão, o futebol atual está anos luz à frente, na qualidade e no talento. (Marinho Perez, Djalma Dias, Calvet, Mauro e o tal de Ramos Delgado eram do tempo que amarravam cachorro com lingüiça sim. Quando muito eles seriam ilustres reservas dos espetaculares Domingos, Fabiano Eller, Adailton e Fabão).
A soma dos quadrados dos catetos
Do ponto de vista tático e técnico, partam os comentários dos áulicos de plantão, dos analistas pasteurizados que tanto abundam na mídia, ou até de ácidos críticos o denominador comum será que a supremacia santista nessa partida foi construída a partir do meio de campo. Roberto Brum, Rodrigo Souto e Bida formaram um triângulo que funcionou a contento. Na ótica daqueles que associam o desempenho ao efeito e a plasticidade o “craque do jogo” foi Bida. Mas sem dúvida o impulso psicológico da arrancada teve também outro nome, ou melhor, as mãos de Fábio Costa.
O quadrado da hipotenusa
De igual forma, se pelo conjunto da obra tivermos que valorizar quem carregou cimento, deu força lá na cozinha, carregou o piano e arrumou a sala, municiando ao ataque e fazendo gol, há que se destacar o Rodrigo Souto. Não, não se tenha o ufanismo e a ilusão de que esse triângulo é a espinha dorsal de um grande time. À luz da realidade, sabemos que não. Mas, esse jogo serviu para mostrar a comunidade santista que para ganhar de adversários médios ou fracos, o time não fica refém somente dos gols de Kléber Pereira.
- Do enviado especial: Alvinegro de Ita
Escrito por Luiz Caetano às 07h47




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