Olê lê - Olá lá, a Marta vem aí e o bicho vai pegar!

Olê lê - Olá lá, a Marta vem aí e o bicho vai pegar!

 

 

Com toda pompa e circunstância, com direito a tapete vermelho e outros mimos a estrela Marta chegou a mais famosa Vila do reino do futebol.  Se a expectativa é auspiciosa, os humores e as opiniões dos santistas acerca do “empreendimento” se mostram divididas. São múltiplas as leituras que circundam o episódio.

 

A idolatria e a oportunidade histórica

 

O status de a melhor do mundo e o não tão coincidente uso da camisa 10 provoca associações e fantasiosas comparações dos nomes Marta e Pelé. Tudo a ver e nada a ver. Isto é, apesar da atividade guardar pontos comuns, as trajetórias e as dimensões são díspares no tempo e no espaço. Como elo de ligação o nosso Peixe. Diante de um cenário de terra arrasada, sem regularidade no calendário e apoios significativos por parte dos órgãos federativos, o futebol feminino no país é um fiasco. As competições regionais e nacionais são pouco atrativas, para falar sério não é coisa nem de segundo plano, vai para uma quinta ou sexta escala...

 

Nesse vácuo, nos últimos anos, o SFC tem investido nas Sereias da Vila. E, visualizando uma perspectiva de ocupar destaque e fazer história moveu esforços para a organização da primeira Copa Libertadores da América, na modalidade feminina, em meio à Copa do Brasil, programada para o trimestre em curso. O propósito santista tem toda a aparência de ousadia e de aposta na conquista de mais um importante marco para o clube. Melhores avaliações poderão ser conferidas mais adiante. Ou a apropriação de uma boa parcela do promissor filão, ou, um mero vôo de galinha a partir de um ninho em que os ovos não procriarão...

 

A fronteira e as críticas

 

Quem, no atual cenário, pretender levantar dados e parâmetros para traçar paralelos entre o futebol masculino e feminino praticado no Brasil contará com elementos tão frágeis e inconsistentes que não chegará a lugar algum. Em se tratando do SFC, se atentarmos para os insucessos da equipe masculina nas últimas edições em que participou da Copa Santander Libertadores e das últimas campanhas no campeonato brasileiro, a conclusão mais óbvia é a tentativa de desvio de foco por parte da Diretoria. Tenta-se, mas, não se consegue, uma vez que o alento pelas conquistas do futebol feminino é mínimo e não desperta maior efeito na galera santista. A estrela sonhada é a amarela e ponto. Mas, isso não implica afirmar que devemos deixar de olhar e dar atenção para as Sereias da Vila. Afinal, quem ama a natureza, sentiu uma vez (e carrega na memória) aquele odor típico de capim no campo, jamais deixará de prestigiar a mulherada. Que elas conquistem os seus espaços. - Olê lê - Olá lá, a Marta vem aí e o bicho vai pegar!

 

Ao lado das compreensíveis críticas à iniciativa da atual direção do SFC, observa-se uma à atleta Marta, a de que ela seja corintiana. Fico perplexo. Quanta grandeza, quanta profundidade na análise: Ela torce para os gambás!  Putz, a que amplitude se pretende chegar? Qual seria o nexo a ser estabelecido? Bem, como o meu rastreador  da memória ainda funciona, me lembro de um certo atleta apelidado de Gasolina que chegou na mesma Vila, na década de 50.  Ele, à época, se dizia torcedor do Vasco da Gama... 

 

O business financeiro e o business político

 

Dentre as marcas, logos e nomes colocados em destaque no evento montado especialmente para a apresentação da Marta foi possível elencar aquelas que, penso eu, contribuíram para concretização do empreendimento alvinegro, no qual também merece registro a contratação da Cristiane, outra estrela da  seleção brasileira.

 

Copagaz, Lupo, BMG, STI e Universidade Santa Cecília devem constar nos contratos de aporte das finanças, sendo que as logo-marcas das quatro primeiras organizações se juntaram ao escudo no manto. De olho na jovem e crescente fatia feminina ligada no futebol, os profissionais do merchandasing vão pagar para ver.  Estima-se que na relação custo x benefício, o ganha-ganha aconteça para todos.

 

Marcelo Pirilo Teixeira, Noberto Moreira da Silva e José da Costa Teixeira, a alta cúpula do clube esteve presente. Sorrisos, fotos e falas na chegada da Marta, tudo normal, pois eles representam a instituição. Todavia, como pano de fundo acresça-se o fato de que eles representam “a fila oficiosa” da sucessão santista. Ou seria um simples acaso que essas contratações, cujos salários são comparáveis aos craques do time principal, aconteçam para torneios às vésperas das eleições alvinegras?

 

Planejamento, meu caro. Isso se chama planejamento. Mas fica aqui um alerta ao Kleiton Lima, o técnico das Sereias da Vila: - Rejeite qualquer sugestão do Marcelo Teixeira para fazer um treino contra o time masculino, os Peixes. Vai que o Vanderlei Luxemburgo coloque o Domingos para marcar a Marta e a Cristiane.  E para a santistaiada o constante lembrete de que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Torcer para que o Santos vença em campo, sempre! Atentar para os bastidores e as manobras também.           

  

PS: Coluna dedicada à simpática zagueira santista (e paranaense) Auinã Daniele de Morais Viegas.  Ao lado dela, meses atrás, assisti no CT Rei Pelé ao jogo das Meninas da Vila contra o time São José, lá da terra da Embraer (onde tem quem gosta e quem não gosta). Uma goleada das Meninas. Ela vibrava bastante e orientava as companheiras Calan, Fran e Pikena. Dá-lhe Sereias!

Por Alvinegro de Ita