Bacalhau, leitão e mangas

Bacalhau, leitão e mangas

 

Feriado colado no sábado e domingo, eis uma oportuna chance para viajar. Principalmente, se a distância é grande. Oriente, no centro-oeste do Estado, região de Marília, a cidade de destino. Resistir ao convite do primo Basilius para comemorar o aniversário do tio Inocêncio ficara impossível, combinou-se que ao Alvinegro de Ita caberia fornecer o bacalhau e o vinho. Outra condição consensuada, no sábado à tarde, acompanharíamos pela TV o jogo do Peixe.

 

Um garrafão de Cardeal, dois de Sangue de Boi, mais três quilos e meio de bacalhau. E, ainda na quinta-feira, princípio da noite, família no carro e pé na estrada.

 

Dia de bacalhau  

 

Sexta-feira, no sítio, o ambiente era de alegria e festa. Depois de dez anos eu podia rever primos e outros familiares, assim como conhecer a criançada. Além do primo Basilius, estavam por lá, a prima Leopoldina e o primo Jorge. Pela manhã, enquanto as mulheres começavam a preparar o bacalhau, os homens cuidavam das bebidas e o papo rolava solto. “Saudades da minha terra” era a música de fundo. 

 

Lá pelas tantas, o Nicanor, garoto de nove anos de idade, filho do Jorge, saiu com essa: - Eu nunca comi bacalhau, mas pelo cheirinho parece ser coisa boa. Depois dos risos, coisa que fez a meninada vibrar, emendei: - É Nicanor e você verá que, além disso, é saboroso e macio. Quem gosta, gosta e jamais deixará de gostar. E o almoço virou banquete, servido com vinho e chocolate de sobremesa. Com muita farra, “Moreninha Linda” foi uma dentre outras canções raízes.

 

Leitão ao ponto e doces mangas

 

Já que a sexta-feira foi santa, o cardápio do sábado previa leitão no rolete.  Com especial tempero e esmero, o pessoal preparou o leitão. O vinho cedeu lugar à cerveja geladíssima, de vez em quando uma rodada de torresmos. Deliciosos. Na expectativa para o jogo, pude constatar que por aquelas bandas, o Palmeiras conta com uma boa presença de torcedores e os santistas estavam em minoria. Mas, isso não impedia que o Alvinegro de Ita desse umas cutucadas: - É moçada, hoje aqui tem leitão assado e lá na Vila, o Porco vai tomar uma chocolatada. E o festivo almoço foi farto.

 

De sobremesa, foram servidas mangas colhidas no próprio sítio do Basilius. Muito doces, o Alvinegro de Ita se esbaldava. Chupava à vontade. E o garoto Nicanor de olho. Com a finalidade de dar um gancho, comentei: - Essas mangas são mesmo gostosas, o chato são esses “pelos” que ficam entre os dentes. Dessa vez foi o Nicanor que soltou uma risada e tascou: - Mas primo, manga não tem “pelo”, manga tem fiapo. Cai na gargalhada, desculpe-me Nicanor vai ver eu estava pensando em outra fruta. Uma fruta também muito boa de chupar.

 

E a tarde se foi. Por volta das 18 horas, a TV ligada e lá estava o primo Basilius a procurar o jogo. Putz! Cadê? Em que canal? Dei um pitaco, é no canal pago do SPORTV. A resposta veio de imediato, aqui não pega esse canal. E lá fomos nós para o rádio. Tive que voltar no tempo e torcer de ouvido. A compensação de agüentar a gozação, depois do gol dos porcos só se materializou após a virada. Afinal, a chocolatada no Verdinho foi “a cereja” de uma páscoa feliz, com uma viagem de volta tranqüila. Oxalá, no sábado que vem o Peixe resista à pressão e volte à Vila classificado para as finais.

 

 

A cereja do bolo

    

Se, a chocolatada no Verdinho foi “o ponto alto” de uma páscoa feliz. Certamente, também, se pode configurar na cereja no bolo para o principal ANIVERSARIANTE de hoje, 14 de abril: O SANTOS  FUTEBOL CLUBE, time de glórias mil e de grandes viradas. Parabéns Santos! Avante Peixe!

 

PS: Estória dedicada ao Pinduca, Orlando Lourenço Dias. Um santista companheiro de infância que aprontava poucas e boas. Seu apelido veio do gibi, nos tempos em que a maioria dos jogos do Peixe, ouvíamos, lá na capital, tão somente pelo rádio.

Por Alvinegro de Ita