"Estórias de Arquibancadas e Bar"

Nada a ver... Mas, muito que se assemelha

 

E a semana foi marcada pela largada da mais importante competição de futebol do continente, a Copa Santander/Libertadores na sua versão 2009 pautou as principais manchetes e espaços na mídia esportiva. Emoção, vibração, vitórias, derrotas, fracasso e conquista envolverão times, torcidas e dirigentes. Participar e ser competitivo é uma coisa, ser competente e vencer, somente um time o fará. E o nosso Peixe estará fora disso. Resta ao Santos FC as batalhas na Copa Brasil, para quem sabe garantir o ingresso na Copa de maior expressão no próximo ano.

Nesse mesmo continente e semana, quem se ocupou da leitura do principal destaque na mídia deparou com manchetes, informações e análises sobre a vitória de Hugo Chávez no referendo na Venezuela, em 15/02. Um presidente que desde de 1998 detém o poder no país vizinho. Promoveu a aprovação de uma emenda constitucional que lhe dá o "direito" e a possibilidade de se reeleger indefinidamente. "Vitória, vitória do povo" ; "É uma clara vitória da revolução" - foram frases de efeito pronunciadas com euforia pelo antigo coronel que virou líder político há 11 anos no poder e se imagina legítimo herdeiro do ícone histórico Simon Bolívar.

- Revolução? Mas que revolução bolivariana é essa que se propaga pela Bolívia, pelo Equador. Serve ela de exemplo a outros países vizinhos; será mesmo um caminho e alternativa para o socialismo no século 21?? . Bem, possivelmente, os adeptos dessa conduta populista poderão argumentar que Hugo Chávez se constitui num exemplo de postura diante do império norte-americano. Da dignidade de dizer não a arrogância dos EUA habituado a fazer de alguns países de quintal e impor a "american way of life".

- Mas, de revolução isso não tem nada, quando muito podemos conceituar de radicalização. No plano concreto, ele Chávez repete a mesmice do "grande guia", do "grande líder" que promete levar as massas ao paraíso. E se incumbe ele desse papel, o pior de tudo é que a maioria dos eleitores acredita nisso. Talvez, uma boa frase para expressar esse cenário seja o "avanço do retrocesso". Simplesmente, lamentável!

Acho que boa parte dos santistas que suportou a leitura até aqui se coloca a indagar: - Política e futebol, nada a ver. Esse espaço é para "falar" do Santos, o blog versa sobre futebol. Xô politicagem! Fora!! Alô Luiz Caetano deleta isso, publique notícias do Peixe. Mas, caros santistas quem é que pratica atos semelhantes e concretamente faz valer a participação política que tantos renunciam? Quem é que assume o papel semelhante a um caudilho e praticou nos estatutos do SFC atitude igual à de Hugo Chávez?? Quem foi que tentou agredir um conselheiro que, no seu direito de manifestação, teceu críticas a sua gestão? 

- Santistas conscientes, querer o Santos FC competitivo e vencedor nas competições todos queremos. Assistir boas partidas e vitórias do Peixe todos desejamos, dedicar-se mais ao futebol e menos à política seria o ideal. Contudo, alienar-se e deixar de lado o principal foco do problema que atinge o Santos FC é algo indigno. 

PS: Por conta do período em que a coluna esteve inativa e um pouco daquilo que li nesse espaço, permitam-me reproduzir um fragmento que colhi num livro:

" Encontrei hoje em ruas, separadamente, dois amigos meus que se haviam zangado um com o outro. Cada um me contou a narrativa de porque se haviam zangado. Cada um me disse a verdade. Cada um me contou as suas razões. Ambos tinham razão. Não era que um via uma coisa e outro outra, ou que um via um lado das coisas e outro um outro lado diferente. Não: cada um via as coisas exatamente como se haviam passado, cada um as via uma coisa diferente, e cada um, portanto, tinha razão. Fiquei confuso desta dupla existência da verdade".

Fernando Pessoa

Por Alvinegro de Ita