"Estórias de Arquibancada e Bar"

Terceirização  - os cofres e os riscos

 

A aula estava em seus momentos iniciais. O mestre buscava criar o clima de expectativa e despertar o interesse da turma que ainda se ajeitava nas carteiras. – Hoje,  o assunto a ser abordado será a Terceirização, suas vantagens e  desvantagens. Antes de acionar o data-show, a introdução seria feita no quadro. - Para isso pessoal, vamos aprofundar a compreensão de uma expressão que ocupa o imaginário de quem gerencia projetos e pessoas. Expressou ele. Lançou mão do pincel e começou a escrever, quando escreveu as letras CU, foi subitamente chamado à porta, uma assistente da secretaria lhe passou um breve recado. Nesse átimo de tempo, os alunos concentrados no que liam no quadro e ainda com a última frase do mestre na mente cruzaram olhares maliciosos e como se estivessem sendo regidos produziram uma gargalhada coletiva.   

Sem acusar o “golpe”, o experiente professor assimilou a inusitada e imprevista blague. Com calma completou a frase: CUI PRODEST? Sim, a expressão em latim A QUEM BENEFICIA? Era o mote para discorrer sobre a Terceirização:  Quais os interesses? Quais os reais objetivos? A princípio esclareceu que uma PARCERIA não implica necessariamente em terceirizar atividades, mas que terceirizar acarreta em estabelecer parceria sim. E que nesse tipo de processo administrativo, o mais difícil é evitar ingerências. Por mais rigorosas e detalhadas que sejam as cláusulas contratuais, o imbróglio jurídico mais adiante é certo.        

 

 

Slides e um “cofre especial”

 

Enquanto rolava a projeção das telas, sentado ao centro da sala, o aluno Osmar (registrado no diário de classe como Osmar Lucena Pires, mas tratado pela galera como OLP) dividia a sua atenção nos tópicos principais e na estonteante visão do “cofrinho” da Karla. A colega de classe, sentada duas fileiras à frente. Na tela, a informação de que a Terceirização possibilita a vantagem estratégica da organização concentrar esforços na sua atividade-fim, cabendo à contratada a responsabilidade da atividade-meio. No close indiscreto, o olhar e a imaginação a viajar como se a atrativa imagem fosse um regato que vai desaguar num abundante rio. Os benefícios imaginados se concentravam na hipotética parceria entre aquelas côncavas formas associadas a movimentos com algumas das suas convexas partes, disponibilizadas à colega Karla. Talvez, um dia. Quem sabe? Mas, que aquele rico “cofrinho” merecia uma delicada tatuagem e suprema dedicação, a isso sim!

 

 

Parceria e um outro cofre   

 

Além do time no campo e a inglória colocação na tabela, outro assunto pautado pelos lados da Vila Belmiro é uma parceria. A QUEM BENEFICIA? Grupo Sondas, DIS, atletas, o SFC protagonizam os conteúdos contratuais. Atentos e briosos santistas apresentam opiniões divididas. Em cotejo vantagens e desvantagens, alternativas e riscos. E a Traffic entra ou não na jogada? Nesse emaranhado de interesses, o que é melhor mesmo para a instituição SFC? No mínimo, quem afirmar que sabe, está desinformado. A incerteza predomina, mas são ações a considerar, dado que a única certeza é a de que no cofre da Vila além de poeira, só tem teia de aranha. Mais de uma centena e meia de milhões de reais existentes em 2005 se foi. Cadê? A informação real é a da existência de uma significativa dívida bancária que leva o Clube a apresentar como garantia as futuras receitas, no popular: “ vende-se o jantar para pagar o almoço” .

 

Que, por enquanto, o core business  do SFC é o time, não se tenha a menor dúvida. Longa vida a isso, pois se trata de algo fundamental a ser zelado, mas essa “história de parcerias” não consiste em nenhuma novidade lá na rua Princesa Isabel, 77 e adjacências. O lendário senhor Juan Figger está por ai para confirmar. O fato concreto é: Como planejar um elenco competitivo para 2009? Quem tem bala na agulha? Quem paga para ver? Até quando o papel de “barriga de aluguel” pode ser sustentado? Pelo visto, o Peixe está diante de uma parceria que poderá evoluir para uma terceirização. Agora, TERCEIRIZAR exatamente o quê? Quais as vantagens competitivas? Que planejamento estratégico pode ser posto em prática? Bem, o cofre está vazio e a perspectiva da imagem é nebulosa...

               

 

PS:  Coluna dedicada a um combativo santista que habita a região do Vale do Paraíba. Nesse ano ele tomou um susto com o downsinzing praticado na estratégica e importante empresa brasileira em que trabalha. Por um triz escapou do corte. Ainda bem que esse blog é sério e bem gerenciado, por saber disso ele não posta os vídeos e pps que coleciona sobre “cofrinhos” e derivados. Se não, certamente, já teria ultrapassado a barreira dos quinze mil. Por lembrar disso, como está a contagem Luiz, tá perdido? Se for o caso, indico que terceirize a tarefa com o Osvaldo Luiz Prado, de cofres não sei, mas de números ele parece entender muito.  

Por Alvinegro de Ita