Com macuco no bornal

Com macuco no bornal


A virada da folhinha para o ano da graça de 2012 faz com que a referência de cada um confira menor ou maior importância aos eventos programados. No imaginário de quem gosta e fatura com o esporte, as Olímpiadas de Londres é a menina dos olhos. Holofotes estarão concentrados na quebra de recordes, no ranking do quadro de medalhas. Por certo um grandioso evento mundial, todavia, de modo mais restrito à comunidade santista o que mais vale em 2012 é a comemoração do Centenário do Santos FC.

Pautados pela desconfiança de que se repita com o Peixe, nesse tipo de efeméride, o insucesso similar àquele vivenciado pelos concorrentes e associando-se, ainda, a bizarra tendência da projeção de tragédias, profecias e prognósticos sombrios dos pseudos videntes, profetas e outros entes agourentos que se intitulam santistas, mas só movem águas para os moinhos do pessimismo. Os primeiros dias do ano chegam carregados de incerteza e ceticismo.

Nos oráculos somente são encontradas névoas e traços do infortúnio. Talvez seja melhor assim, onde o ponto de partida conte com descrença e desconfiança, mas provoque o despertar da consciência de que os erros, as insuficiências venham a ser corrigidas e sanadas do decorrer da trajetória, com firme sentido de que as metas e os objetivos possam ser atingidos.

Preocuparia bem mais, se a soberba e a postura de acomodação prevalecesse. A vida é mudança, é olhar pra frente e para o alto, é estabelecer propósitos, é buscar meios e desenvolver ações para que se concretizem os projetos e se cumpra a missão da instituição SFC.

O FEBEAPÁ que assola o meio esportivo compelido pelo marasmo da entressafra das competições, como não poderia deixar de ser, gera especulações, boatos e insinuações de pouca ou nenhuma serventia. Seria risível se não fosse trágico o nivelamento rastejante das manifestações e pior constatar: a quem serve e ao quê?  Ao Santos FC tenho a certeza de que não.

E até admissível atribuir ao fato de que ainda perplexa, ressabiada e indignada com fiasco no Japão a comunidade santista, como assinalou Leminski, precise cultivar a máxima “Haja hoje para tanto ontem”, a fim de que se possa sacudir a poeira e dar a volta por cima. Sabe-se que na história do clube muitas vezes isso aconteceu. Por exemplo, após a decisão da disputa da Taça Brasil de 1959 frente ao Bahia, o Peixe sucumbiu ao valente futebol da equipe nordestina, coisa que se repetiu na versão da Taça de 1966 quando foi atropelado pelo Cruzeiro, os mineiros jogaram muito.

Vale observar que, em se tratando da comemoração do centenário, enquanto o fado e o fardo de alguns obteve o carimbo do “sem ter nada”, com o Peixe a história pode e deve ser diferente. No folclore popular o ditado falado é “tem macuco no emborná”. Fato que a priori não há como ter. Contudo, ao se preparar para as jornadas que marcarão os 100 anos de uma preciosa e singular história, o melhor presente que a comunidade alvinegra praiana poderá receber é chegar o fim do ano com alguns macucos no bornal.   

Boa sorte e adiante Peixe!

Por Alvinegro de Ita